"Faço meu site em WordPress ou mando desenvolver do zero?" É uma das perguntas que mais recebo. Os dois caminhos funcionam; o erro está em escolher pelo preço da primeira fatura em vez de olhar quem vai editar o site, quanto ele vai mudar e quanto custa mantê-lo por três anos. Neste comparativo eu mostro os critérios que uso para recomendar um ou outro aos meus clientes.
O que é cada opção
WordPress
WordPress é um CMS (sistema de gerenciamento de conteúdo). Você instala numa hospedagem, escolhe um tema, adiciona plugins e edita tudo por um painel. Mais de 40% dos sites do mundo rodam nele, o que significa muita documentação, muitos profissionais e um plugin para quase qualquer necessidade.
Site em código
É o site construído diretamente em HTML, CSS e JavaScript, ou com frameworks como Next.js e Astro. Quase sempre é publicado como site estático: as páginas são arquivos prontos, sem banco de dados e sem sistema rodando por trás. Este próprio blog é feito assim.
Comparativo direto
| Critério | WordPress | Código (estático) |
|---|---|---|
| Custo inicial | R$ 2.000 a R$ 8.000 | R$ 1.500 a R$ 5.000 |
| Custo mensal | R$ 100 a R$ 300 (hospedagem, plugins pagos, manutenção) | R$ 0 a R$ 50 (hospedagem estática) |
| Velocidade | Boa com cache e poucos plugins; cai com excesso de plugins | Excelente por padrão |
| Segurança | Depende de atualizações constantes | Superfície de ataque mínima |
| Edição pelo cliente | Sim, por painel visual | Não, a menos que se adicione um CMS |
| Blog com publicação frequente | Excelente | Possível, mas exige processo |
| Funcionalidades prontas | Milhares de plugins | Tudo é desenvolvido ou integrado |
Valores de referência para sites institucionais de 5 a 10 páginas no mercado brasileiro. Projetos com loja, área de membros ou integrações saem dessas faixas.
O custo que ninguém coloca no orçamento: 3 anos de manutenção
O WordPress costuma parecer mais barato porque o tema pronto acelera a entrega. A conta muda quando você soma a manutenção. Um cenário típico de site institucional:
| Item (36 meses) | WordPress | Código |
|---|---|---|
| Desenvolvimento | R$ 4.000 | R$ 3.500 |
| Hospedagem | R$ 1.800 (R$ 50/mês) | R$ 0 a R$ 600 |
| Plugins premium (formulário, SEO, cache, backup) | R$ 1.500 a R$ 3.000 | R$ 0 |
| Atualizações e correções | R$ 3.600 (R$ 100/mês) | Só quando houver mudança |
| Total aproximado | R$ 10.900 a R$ 12.400 | R$ 3.500 a R$ 4.100 + alterações |
A diferença só se inverte quando o site muda toda semana. Aí cada alteração feita por um desenvolvedor custa mais do que o painel do WordPress.
Segurança: onde mora o risco do WordPress
O núcleo do WordPress é bem mantido. O problema está nos plugins: a grande maioria das vulnerabilidades reportadas no ecossistema vem deles, não do WordPress em si. Plugin abandonado, tema "nulled" baixado de site pirata e senha fraca no painel são as três portas de entrada que eu mais vejo em sites invadidos.
Se escolher WordPress, as regras mínimas são:
- Instalar só plugins com atualização recente e muitas instalações ativas
- Atualizar núcleo, tema e plugins pelo menos uma vez por mês
- Usar autenticação em dois fatores no painel
- Manter backup automático fora do servidor
- Nunca usar tema ou plugin pirata
Um site estático elimina boa parte desses riscos porque não há painel, banco de dados nem código rodando no servidor para ser explorado.
Velocidade e SEO
O Google usa as métricas Core Web Vitals (carregamento, interatividade e estabilidade visual) como um dos sinais de ranking, e visitantes de celular abandonam páginas lentas. Um site estático bem feito atinge notas altas sem esforço extra. No WordPress é possível chegar perto, mas exige tema leve, plugin de cache, imagens otimizadas e disciplina para não acumular plugins.
Em SEO "de conteúdo" (títulos, meta descrições, dados estruturados, sitemap) os dois empatam: o WordPress resolve com plugins como Yoast ou Rank Math; no código, isso é feito direto no template.
O meio-termo: código com CMS
Existe uma terceira opção que resolve a maior desvantagem do site em código. O site continua estático e rápido, mas o conteúdo é editado num painel separado (os chamados headless CMS, como Decap, Sanity ou Strapi). O cliente edita textos e publica posts; o site é reconstruído automaticamente. Custa mais para montar, mas combina velocidade e autonomia.
Como decidir: 4 perguntas
- Quem vai editar o site? Se for alguém da sua equipe, sem desenvolvedor, o WordPress (ou o meio-termo com CMS) é praticamente obrigatório.
- Com que frequência ele muda? Publica conteúdo toda semana: WordPress. Muda duas vezes por ano: código.
- Você vai fazer manutenção? WordPress sem atualização é um risco real. Se ninguém vai cuidar, prefira estático.
- Precisa de alguma funcionalidade pronta? Agendamento, área de membros, cursos. Às vezes existe um plugin maduro que custaria semanas de desenvolvimento.
Minha recomendação por tipo de projeto
- Site institucional de 5 a 10 páginas, poucas mudanças: código.
- Landing page de campanha: código, pela velocidade.
- Blog ou portal com publicação frequente pela equipe: WordPress.
- Empresa que quer editar textos mas exige performance: código com headless CMS.
- Loja virtual: nenhum dos dois por padrão. Avalie plataformas de e-commerce (veja o comparativo de plataformas de e-commerce).
FAQ
Sim. O conteúdo é exportado e o novo site é montado mantendo as mesmas URLs (ou redirecionando as antigas com 301). Bem feita, a migração preserva o ranking.
Não. Com tema leve, plugin de SEO e boa hospedagem ele ranqueia muito bem. Os problemas de SEO no WordPress quase sempre vêm de lentidão causada por excesso de plugins.
Eles são uma quarta via: rápidos de montar e sem manutenção técnica, mas com mensalidade permanente e pouca flexibilidade. Servem bem para quem precisa de algo simples no ar em um fim de semana.
Não sabe qual escolher?
Me conta sobre seu projeto e eu recomendo o caminho com melhor custo em 3 anos.
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